Depois de meses em casa sob cuidados e atenção, chegou a hora de a criança frequentar uma escola. E agora? O lugar necessita ser agradável, responsável e acima de tudo passar segurança aos pais, afinal seu grande tesouro será deixado todos os dias nas mãos de pessoas diferentes. O que procurar e o que esperar de uma escola?
Sabemos que cada ser é único, em características, comportamentos e caráter, por que então esperar que os objetivos propostos para um grupo sejam os mesmos? Pensando na particularidade e, principalmente, no tempo que cada um necessita para suas descobertas e conquistas, voltamos nosso olhar para a filosofia construtivista. Acreditamos que existem objetivos coletivos e metas para uma determinada faixa etária ou um grupo, mas acima de tudo acreditamos que cada criança realiza suas conquistas de uma forma individual e particular, sendo assim, é essencial que observemos o ponto de partida para depois analisarmos o ponto de chegada. Respeitar e dar espaço para serem ouvidos e observados, acreditando na convivência, a relação com crianças e adultos, a necessidade de se comunicar e de lidar com o diferente seja ele físico, cognitivo ou cultural, respeitar o que cada um é, a bagagem que traz e os valores que adquiriu, sabendo dividir e reestruturar quando necessário, são fatores essenciais para o crescimento como ser humano.
Por que uma escola regular? Acreditamos que todas as crianças têm o direito ao convívio e a relação com os outros. Se considerar uma escola inclusiva é muito mais que simplesmente aceitar a criança em sala, é saber olhar as capacidades, as habilidades acima de qualquer limitação. É fazer com que o indivíduo se sinta pertencente aquele espaço, seja querido pelos outros. A inclusão oferece benefício a todos, sejam os considerados típicos, ou não típicos. As crianças típicas, por olharem ao próximo com respeito, vendo as diferenças como parte de cada um, sendo generosas com as necessidades e pró-ativas para ajudarem. Aos não típicos, o convívio com pessoas que possuem habilidades diferentes das suas, o que não quer dizer que com isso sejam melhores, são simplesmente diferentes, sendo elas figuras importantes para seu próprio crescimento, afinal muito do que aprendemos é por imitação e também como forma de superar o que já sabemos em busca de conhecer e conquistar mais.
A inclusão social acontece em uma lanchonete, na feira ou no shopping. Em qualquer espaço que as pessoas se encontrem a vida se encarrega de envolvê-las, mas estar na escola é muito além de estar entre os outros, é ser visto e estimulado como ser humano capaz de aprender, conquistar e acima de tudo errar.
Uma escola inclusiva precisa ter objetivos e um percurso muito claro a ser percorrido, buscar estratégias, pesquisar, utilizar os erros para fazer sempre melhor. Assim, como cada criança tem seu tempo e seu percurso, uma escola inclusiva, “...deve ter seu projeto de inclusão, e cada criança, um plano individual, inserido no plano geral da classe.” (Saberes e práticas da inclusão, p.35)
Dessa forma, buscamos adaptar e estruturar nosso currículo para que todas as crianças sintam-se inseridas em nosso planejamento, sabendo que “...é a escola que se modifica para que o aluno obtenha êxito na aprendizagem e adquira conhecimento.” (Saberes e práticas da inclusão, p.33), buscamos conciliar a importância da criança em sala com amigos participando das atividades propostas, com a necessidade de um olhar específico e atento a suas necessidades particulares, procurar em conjunto, encontrar adaptações, recursos e estratégias para que o máximo de informações e estímulos sejam oferecidos e entendidos pelas crianças.
É essencial que a criança participe de todas as propostas que envolvam o grupo, que se sinta e seja participante em tempo integral de tudo que envolve seus amigos. O convívio e a interação trazem a todos um ganho excepcional, pois aprendem nesses momentos a importância de se comunicar, de se fazer entender, de impor sua opinião, negociar quando necessário e ceder quando preciso. A vida em sociedade requer que saibamos lidar com as mais diversas situações do dia a dia. Mas, é essencial que o pedagógico caminhe junto com a convivência, pensando nisso buscamos atendimentos específicos às necessidades de cada um, procuramos estimular ao máximo e da maneira mais adequada buscando sempre pelo melhor, analisando a maneira mais adequada de se trilhar o caminho e de aproximar dos objetivos propostos; é saber o que propor e estabelecer, o quanto exigir ou até onde chegar. Aos objetivos todos chegaremos, mas o que necessitamos ter muito claro em nossa forma de pensar é que cada um percorrerá caminhos diferentes, levará períodos diversos e dará valores distintos a cada uma dessas conquistas.
Cibele Santos
Professora de Educação Infantil
em formação para Educação Especial
THEMAeducando – Fevereiro/2012
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MACEDO, Lino. Ensaios pedagógicos. Como construir uma escola para todos? Porto Alegre: Artmed, 2005.
CENTRO DE ESTUDOS ESCOLA DA VILA. A escola inclusiva: um desafio de muitas faces. Janeiro, 2009.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Educação infantil. Saberes e práticas da inclusão. Dificuldades acentuadas de aprendizagem. Deficiência múltipla. Brasília, 2006.
WERNECK, Claudia. Muito prazer eu existo. Rio de Janeiro: WVA, 1993.

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