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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Boletim Informativo nº 1 - As adaptações de um novo ano

ANO NOVO, VIDA NOVA

“MAMÃE, ESCOLA NÃO TEM QUE QUERER NÉ? TENHO QUE IR.”

“TIA AGORA SOU MUITO GRANDE VOU PARA O G2.”

“A GENTE CRESCEU E POR ISSO MUDOU DE SALA.”

“AS MESINHAS DO G2 SÃO MAIORES QUE AS DO G1. É QUE A GENTE CRESCEU.”

“EU GOSTEI DE MUDAR DE GRUPO. ESTÁ MUITO LEGAL SER DO G4!.”

“NO G4 TEM COISAS QUE SÃO DIFERENTES. ENTÃO, A GENTE VAI TER QUE DESCOBRIR MAIS COISAS.”

“ESSA SALA TEM MESA, CADEIRA. EU GOSTO DO VERMELHO E AZUL E VOU SENTAR PARA DESENHAR O PAPAI E A MAMÃE.”

“ESTOU CRESCENDO MUITO, IGUAL AO MEU PAI E QUANDO A GENTE CRESCE, MUDA DE SALA.”

AS CRIANÇAS QUE CHEGARAM AO G1, DEPOIS DE ORGANIZAREM UM JOGO, FORAM CHAMADAS PARA FAZER UMA RODA DE HISTÓRIA. A MÚSICA EU VOU CONTAR UMA HISTÓRIA, AGORA ATENÇÃO... COMEÇOU A SER CANTADA E AS CRIANÇAS BUSCARAM UM ESPAÇO PARA SE ACOMODAR E OUVIR-LA. A EDUCADORA SENTOU-SE NO CHÃO, ESPERANDO QUE TODOS FIZESSEM O MESMO. MAS, QUANDO TERMINOU A MÚSICA, TODOS TINHAM PROCURADO UMA CADEIRA PARA SE SENTAR. ENTÃO, UMA RODA DE HISTÓRIA COM CADEIRAS FOI ORGANIZADA. (COORDENADORA DO THEMA)

"MINHA PEQUENA PASSOU POR ESTA FASE NO ANO PASSADO.... (MUDANÇA DO BERÇÁRIO PARA O MATERNAL). CADA ANO QUE PASSA VEM NOVAS CONQUISTAS, DESAFIOS, MEDOS, E DEPOIS UM AFETO GIGANTE PELAS NOVAS "TIAS". PARECE QUE FOI ONTEM QUE FIZEMOS A ADAPTAÇÃO NO BERÇÁRIO." (MÃE DO THEMA)

"O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO DO J. FOI LONGO... NA VERDADE, NÃO FOI O TEMPO DELE QUE REGULOU A ADAPTAÇÃO, MAS O MEU... TIVE 5 MESES DE LICENÇA E NÃO FOI FÁCIL DEIXÁ-LO NA ESCOLA TÃO PEQUENO... ME SENTIA CULPADA, DIVIDIDA, INSEGURA. FIQUEI 2 SEMANAS E MEIA SENTADA NAS CADEIRAS LARANJAS DO CORREDOR DA ESCOLA E FOI ÓTIMO. VIVENCIEI A ROTINA DA ESCOLA... O CARINHO COM QUE AS PROFESSORAS E FUNCIONÁRIOS TRATAVAM AS CRIANÇAS. OUVI PALAVRAS DE APOIO EM TODOS OS MOMENTOS QUE CHOREI E, NO ÚLTIMO DIA DE MINHA LICENÇA, O J. DORMIU COMO UM ANJO NA SALA DO BERÇÁRIO. FOI ALGO COMO "MAMÃE, FIQUE TRANQUILA, ESTOU BEM! PODE VOLTAR AO TRABALHO, POIS SEI QUE ISSO TAMBÉM É IMPORTANTE PARA A SUA FELICIDADE". HOJE, QUASE 2 ANOS DEPOIS, SEI QUE FOI A MELHOR DECISÃO QUE PODÍAMOS TER TOMADO." (MÃE DO THEMA)

O PROCESSO DE (RE)ADAPTAÇÃO

       Adaptações são parte integrante do desenvolvimento, já que as pessoas estão continuamente adaptando-se a novos momentos, ambientes e situações ao longo do ciclo vital. A cada coisa nova que aprendemos, mudamos e, às vezes, precisamos mudar o que está ao nosso redor. Vamos nos desenvolvendo entre estabilidades e mudanças, um processo contínuo e recíproco de transformações.
            Ao longo do ano, as crianças passam por experiências novas: uma nova habilidade que descobriu em si, uma história que ouviu, um fato que viu, uma doença, um colega novo que entrou na turma, um irmão caçula que vem chegando na família... Algumas delas podem mobilizar emoções relacionadas à insegurança.
            Quando a criança ingressa na escola ou um novo ano escolar se inicia, então, são muitas novidades. Algumas podem ser motivadoras, outras podem causar estranhamento, principalmente quando estava gostoso curtir, por exemplo, uma viagem em companhia dos queridos familiares... Ou seja, sentimentos e comportamentos inesperados em relação à escola podem aparecer. Então, é preciso procurar pacientemente entender o que se passa, conversar e transmitir segurança. E fazer isto em parceria com a escola, trocando ideias e informações, será excelente para todos superarem, juntos, o momento. Quanto mais a criança estiver habituada e afetivamente ligada ao ambiente escolar, mais naturalmente ela poderá encarar mudanças, novidades e medos.
            Cada criança e cada família tem seu próprio ritmo e seu próprio modo para se adaptar. Falamos em processo, pois trata-se de um movimento gradativo que vai se construindo nas interações entre as pessoas e os ambientes.
            A adaptação depende, dentre outros fatores, das características da criança,  de sua idade e da fase de desenvolvimento em que se encontra; e das características dos familiares e das pessoas envolvidas no ambiente escolar. O processo de adaptação costuma ser um momento de emoções diversas, ansiedades e inseguranças para todos, afinal primeiro precisamos conhecer para depois confiar. E isto demanda tempo.
            A Educação Infantil é, para muitas crianças, sua primeira experiência social e exige, portanto, um grande empenho emocional de todos.

PAPEL DA FAMÍLIA

            Os pais (ou até os avós), em sua maioria, sentem-se ansiosos e divididos entre a perspectiva de ver seus filhos conquistando novos espaços e ao mesmo tempo em ter que deixá-los, às vezes, chorando com pessoas "desconhecidas".
            Em linhas gerais, como os familiares podem ajudar seus filhos neste momento?
            - preparando-se: sempre conversando e conhecendo bem como a escola procede diante do processo de adaptação e auxiliando as pessoas envolvidas no conhecimento de seus filhos. Sempre que forem necessárias conversas mais demoradas com a professora, pedimos que a façam na hora da saída ou agendem através da coordenação;
            - preparando a criança antes de ir para a escola: é interessante falar sobre a escola permitindo que a criança crie um significado positivo dela (ex.: contar suas histórias de criança quando estavam na escola, apontar amigos e primos da criança que vão/voltam à escola), combinar sua rotina do dia com ela (ex.: "a mamãe vai te levar pra escola depois do almoço, você vai fazer diversas atividades e brincadeiras com seus amigos e depois, antes de anoitecer, a mamãe vai te buscar pra voltarmos pra casa"; situar o tempo conforme a percepção da criança). Porém não convém antecipar nem repetir muito o assunto para não gerar ansiedade desnecessária, visto que algumas crianças, conforme a idade, ainda não possuem a noção do tempo bem organizada.
            - transmitindo calma e segurança, procurando controlar suas emoções e atitudes;
            - demonstrando compreensão, amor e paciência; procurando entender as emoções, o ritmo e o momento da criança (permitir que ela traga um objeto de apego de casa se for importante para ela);           
            - "dando espaço para que a criança reconheça e crie o seu próprio espaço na escola": para que a criança possa conhecer e gostar da escola e das pessoas aqui presentes, se faz necessária uma certa distância dos pais, é preciso haver um espaço para que ela possa ser conquistada. A despedida, por exemplo, deve ser enfrentada sem mentiras, evitando saídas às escondidas, sempre com demonstrações de carinho, firmeza e confiança - convém explicar o momento sem prolongá-lo além do necessário, mesmo que seja preciso ouvir um pouco de choro e sair de coração "apertado".

A IMPORTÂNCIA DA ROTINA

            Já imaginou se todos os dias você tivesse que pensar em qual caminho fazer para ir trabalhar, em que momento pisar na embreagem do carro, engatar as marchas, frear etc. como se estivesse ainda aprendendo a dirigir? Se todos os dias fossem como os primeiros dias de anos escolares, em que você tivesse que decidir em qual carteira se sentar e de qual colega novo se aproximar? Poderia ser bastante tenso ou ao menos desgastante. Nossa memória nos ajuda a nos “acostumar”, automatiza uma série de atividades dando espaço para que nossa mente possa apreender novas experiências.
            As crianças, além de terem os sentidos apurados para adquirir novos conhecimentos (elas são capazes de aprender muito mais coisas em um dia do que os adultos), tem um mundo inteiro para conhecer. Por isso, uma certa rotina de atividades e horários é de suma importância para ajudá-las a "se acostumarem". A rotina oferece segurança, tranquilidade e autonomia a elas, especialmente quando se trata do ambiente escolar, um lugar rico e variado de pessoas, coisas e acontecimentos. Quando os pais e professores organizam os horários das crianças favorecem um bom relacionamento delas com o mundo.

PAPEL DA ESCOLA

            Para propiciar cuidado e educação infantil de qualidade, impõe-se o pensar na formação e na capacitação contínuas dos profissionais a fim de que estejam preparados para receber as diferentes situações que se apresentam e refletir sobre elas. Lidar com a adaptação exige aceitar as múltiplas perspectivas com que uma determinada situação é entendida/vivenciada pelos diversos participantes.
            Isso pressupõe que a escola seja aberta, com clara disposição para uma relação franca e acolhedora com a família. Nesse panorama, as relações escola-família colocam-se como o aspecto central de atenção, transformando-as em grandes parceiras nos cuidados e na educação da criança. Apenas de forma conjunta é possível conduzir adequadamente o processo de adaptação à escola, por isso o acolhimento é fundamental.
A criança, para elaborar bem este processo de mudanças, precisa ter oportunidade para sentir falta da pessoa querida que está ausente, sentir-se triste, sozinha e talvez até zangada e deve poder expressar seus sentimentos de maneira apropriada. Nesse sentido, é fundamental que a professora esteja segura em saber intervir no momento certo criando uma relação afetiva de confiança, tanto com a criança quanto com os pais. Como organizadora desse processo, a professora também necessita ter consciência dos sentimentos envolvidos, revendo suas próprias emoções, e fazendo reflexões diárias.
Os primeiros dias são realmente mais difíceis e cansativos, demandando maior dedicação por parte da professora. A coordenação, nesse momento, poderá ajudá-la a construir sua segurança e autoridade para atuar de forma mais tranquila, trocando, ao final de cada dia, ideias sobre as conquistas, os equívocos, os excessos, as principais dificuldades, repensando-os para o dia seguinte.

A DECISÃO DE LEVAR A CRIANÇA PARA A ESCOLA

            A entrada da criança na escola é um momento marcante. Em primeiro lugar, é importante que a decisão de colocar a criança na escola seja tomada de maneira consciente levando em conta tanto as necessidades dos pais quanto as da criança.
            Não há uma regra que defina exatamente o que é melhor, qual o momento certo: seria ultrapassado e injusto dizer apenas que os pequeninos tem vantagens com os cuidados “exclusivamente” maternos até os 2 anos de idade sem considerar o cansaço da mãe, sua carreira profissional e a colaboração que possa ter ou não nas atividades do dia a dia com seu filho em casa. Para muitas famílias, apenas uma dessas questões já pode ser decisiva para a busca de suporte profissional.
            Por outro lado, a primeira infância é a fase de maior e mais rápido crescimento e desenvolvimento humano: constitui a base da formação humana (personalidade, valores etc.). Aos poucos (e bem cedo) as necessidades das crianças vão se ampliando: além dos cuidados com alimentação, sono e higiene, elas precisam de oportunidades para conhecer, explorar e aprender o complexo mundo: das coisas, das sensações, das relações humanas.
            Considerando estas necessidades de pais e filhos e conhecendo e concordando com os recursos físicos, materiais e profissionais da escola escolhida, a filosofia e os valores da mesma, não há motivos para que os pais sintam-se culpados pela decisão. Vale lembrar, que a escola jamais desligará ou substituirá o afeto que vincula a criança à sua família: a família é e sempre será a principal base e referência afetiva de todos.

1ºANO:
PROJETO "ESCOLA NOVA LÁ VOU EU"

Toda a nossa vida é feita de etapas e a transição destas é sempre um momento de apreensão. As crianças do 1º ano do Thema (por enquanto) vivem uma transição importante: a saída da escola de educação infantil e o ingresso na escola de ensino fundamental. Será necessário elaborar e expressar os sentimentos que envolvem "perdas", como a dos amigos, e o enfrentamento de um "novo desconhecido", com ganhos e crescimento.
Devemos ficar atentos a tais questões e atitudes que as crianças venham a manifestar. Embora esse olhar aconteça durante todo o ano, o Thema desenvolve um projeto junto às crianças com atividades semanais a partir do segundo semestre. O assunto não é apontado antes pela escola para não adiantar ansiedades, desfocando a crianças do que está sendo desenvolvido no momento presente.
            O projeto "Escola nova lá vou eu" tem como objetivos favorecer a postura de estudante; aproximar as crianças das mudanças que existirão em relação à nova escola (recreio, tarefas, matérias, horários, uniforme, lanche, professoras etc.); e conhecer a rotina de outras escolas. Para tanto, no final do ano, por exemplo, fazemos um encontro dos alunos do 1º ano com ex-alunos do Thema que contam tudo sobre a experiência que tiveram ao longo dos dois últimos anos. Da mesma forma que a professora fica atenta aos sentimentos das crianças em relação às mudanças desde o início do ano, a escola também se mantém aberta para as trocas sobre esta fase com as famílias!

SEJAM BEM VINDOS!   2013, LÁ VAMOS NÓS! 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Boletim nº 2 - Memórias da Educação Infantil

SEXUALIDADE, GÊNERO, O QUE OS PEQUENOS SABEM SOBRE O SER MENINA E MENINO...

“MÃE, TEM ALGUMA COISA ESTRANHA COM A PIRIQUITA DO MEU AMIGO, QUANDO ELE VAI FAZER XIXI ELE PUXA LÁ NA FRENTE.”

A PROFESSORA EM RODA OBSERVA UMA CRIANÇA COM A MÃO DENTRO DA CALÇA E PERGUNTA SE ESTÁ TUDO BEM, ELA NA MESMA HORA RESPONDE: “É QUE MEU PIPI TÁ GLANDE E DULO.”

UMA CRIANÇA ENTROU NA SALA E FALOU: "O AMIGO DO MEU PAI TEVE UM BEBÊ." A AMIGA RESPONDEU: "O AMIGO DO SEU PAI!?" TERCEIRA CRIANÇA: "É SE O AMIGO CASAR COM UM HOMEM PODE SER..." QUARTA CRIANÇA: "ERR, NADA VÊ, HOMEM NÃO PODE TER FILHO, PORQUE NO ESTÔMAGO DELE NÃO TEM CORAÇÃO!"

DOIS MENINOS CONVERSAM NO BANHEIRO: “POR QUE SEU PIPI É TÃO GRANDE, VOCÊ PUXA ELE?”, “NÃO, EU NASCI ASSIM.”.

MÃE: "FILHA, COMO FOI NA FESTA DE ANIVERSÁRIO?", A CRIANÇA RESPONDE: "FOI LEGAL! FUI NAQUELE BRINQUEDO QUE SOBE DEVAGAR E DESCE DE REPENTE!". MÃE: "NO ELEVADOR?! NÃO TE DEU FRIO NA BARRIGA?". FILHA: "NÃO, MAS MINHA XOXOTA TREMEU!".

QUAL É O PAPAI OU A MAMÃE QUE NÃO FICAM EM UMA SAIA JUSTA QUANDO SEUS PEQUENOS COMEÇAM A DESCOBRIR SUA SEXUALIDADE?

“EU SEI COMO EU NASCI. O PAPAI DO CÉU COLOCOU UMA SEMENTE NA BARRIGA DA MINHA MÃE. AÍ, TODA VEZ QUE CHOVIA, A SEMENTE QUE ERA EU CRESCIA. AÍ, CHOVEU, EU CRESCI, CHOVEU EU CRESCI, ATÉ QUE EU FIQUEI MADURA E NASCI!”

“CRIANÇAS CONVERSANDO SOBRE NASCIMENTO. A PRIMEIRA COMENTA: “O PINGUIM NASCE DE OVO E A GENTE NASCE DE BARRIGA”. A SEGUNDA: “NÃO, EU VI UMA FOTO, EU NASCI DA PERERECA DA MINHA MÃE!”. A TERCEIRA: “SERÁ QUE ALGUÉM JÁ NASCEU DO BUMBUM?”.

 “É VERDADE QUE QUANDO A GENTE NASCE SAI PELA PERERECA DA MAMÃE? PORQUE A GENTE NÃO NASCE DO PAPAI?”

DEPOIS DE PESQUISAR SOBRE O SISTEMA ÓSSEO, UMA CRIANÇA PERGUNTA: “TIA, MEU PIPI TEM OSSO?” E A PROFESSORA RETORNA A PERGUNTA: “PORQUE VOCÊ ACHA QUE SEU PIPI TEM OSSO?” E A CRIANÇA RESPONDE: “É PORQUE TEM HORA QUE EU SINTO ELE DURO, IGUAL QUANDO EU ACORDO OU ÀS VEZES QUE EU VOU TOMAR BANHO”. SEGUNDA CRIANÇA COMENTA: “EU NÃO SEI SE O PIPI DO MEU PAPAI É DURO, MAS ELE É GRANDE ASSIM Ó (MOSTRANDO CERTO TAMANHO COM AS MÃOS) E NOSSA (FAZENDO VOLTAS COM AS MÃOS), CHEIO DE PELOS!”. 

“EU JÁ VI ADULTO BEIJANDO NA BOCA. PARECE SER NOJENTO!”



SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO

A SEXUALIDADE É UMA DIMENSÃO NATURAL E INERENTE AO SER HUMANO. ENQUANTO ENERGIA QUE BUSCA O PRAZER, QUE NOS CONECTA À VIDA, INICIALMENTE A SEXUALIDADE É EXPERIMENTADA PELO CORPO TODO E VAI PROCESSUALMENTE FOCANDO ALGUMAS ÁREAS CORPORAIS CONFORME O MOVIMENTO DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA, ATÉ QUE, NA IDADE ADULTA, ATINGE AS REGIÕES GENITAIS COMO PRINCIPAL FOCO.

ESSAS SENSAÇÕES CORPORAIS PROVOCAM UMA MULTIPLICIDADE DE SENTIMENTOS E, POR ISSO, CONFIGURAM NOSSAS RELAÇÕES COM O MUNDO INTERNO E EXTERNO. DIANTE DE TAL MULTIPLICIDADE FORAM CONSTRUÍDOS SIGNIFICADOS SOCIAIS CONTRADITÓRIOS SOBRE O SEXO - ORA BASTANTE PERMISSIVOS, ORA MUITO RESTRITIVOS OU ATÉ MESMO PUNITIVOS. 

COMO EDUCADORES, NÃO PRECISAMOS REPRODUZIR ESSES SIGNIFICADOS CULTURAIS OU PESSOAIS A RESPEITO DE NOSSAS EXPERIÊNCIAS SENSUAIS ATÉ PORQUE ELES NÃO DÃO CONTA DE TAL MULTIPLICIDADE; NOSSO INTUITO É FAVORECER QUE A CRIANÇA POSSA CRIAR O PRÓPRIO SENTIDO SOBRE SUA SEXUALIDADE E IDENTIDADE, DE MANEIRA SAUDÁVEL E SEGURA.  DEIXAR DE FALAR SOBRE O ASSUNTO, EVITÁ-LO OU PROIBIR A MANIFESTAÇÃO DELE PODE FAVORECER A IDEIA DE QUE "COISAS GOSTOSAS SÃO ERRADAS" OU "SENTIR-SE FELIZ NÃO É BOM, NÃO É PERMITIDO".  É IMPORTANTE QUE A CRIANÇA TENHA LIBERDADE PARA EXPRESSAR SUAS CURIOSIDADES E DÚVIDAS, USAR SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS, POIS SE NÃO PUDER FAZÊ-LO, NÃO PODERÁ APRENDER MELHOR SOBRE ELA E SOBRE O MUNDO À SUA VOLTA. POR MAIS CONSTRANGEDORA QUE POSSA NOS PARECER UMA PERGUNTA, NÃO DEVEMOS DEIXÁ-LA SEM RESPOSTA, MESMO QUE ELA SEJA "NÃO SEI".

O PRIMEIRO PASSO É TENTAR ENTENDER BEM QUAL É A DÚVIDA, O QUE A CRIANÇA ESTÁ QUERENDO SABER E, ENTÃO, RESPONDER PONTUAL E VERDADEIRAMENTE - SEM SIMBOLOGIAS OU SEM INTRODUZIR NOVOS ASPECTOS PARA QUE ELA NÃO FIQUE SUFOCADA POR DÚVIDAS, IMAGINAÇÕES E INTERESSES MAIORES DO QUE ELA PODE DAR CONTA NAQUELE MOMENTO.

ESTIMULAR O TEMA, ANTECIPANDO QUESTÕES QUE AINDA NÃO SE TORNARAM CAMPO DE SEU INTERESSE, TAMBÉM NÃO É NADA SAUDÁVEL - ASSIM, PODEMOS FAVORECER A IDEIA DE QUE NÃO SE TRATA DE ALGO ÍNTIMO, PRECIOSO, PESSOAL E SIM ALGO QUE PODE SER CONTROLADO/EXPLORADO EXTERNAMENTE, VIVENCIADO DE FORA PRA DENTRO. DESTA FORMA, FICA A IDEIA DE QUE SUA SEXUALIDADE É UM PRAZER A SER PROPORCIONADO PELOS E PARA OS OUTROS. UM EXEMPLO DESTA ANTECIPAÇÃO É NOMEARMOS AS PREFERÊNCIAS DE AMIZADES COMO "NAMOROS" E INCENTIVÁ-LAS PELO USO DESTES TERMOS. AS CRIANÇAS BRINCAM DE NAMORO, DE PAPAI E DE MAMÃE, ISTO NÃO SIGNIFICA QUE OS ADULTOS PRECISAM TRANSFORMAR ESSAS BRINCADEIRAS EM REALIDADE. OUTRAS QUESTÕES QUE TEM ANTECIPADO O DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE SÃO AS CULTURAS MUSICAIS E DE VESTIMENTAS E MAQUIAGENS ADULTAS QUE APONTAM O RECONHECIMENTO DA BELEZA E DOS PRAZERES DE FORA PARA DENTRO - AS CRIANÇAS TAMBÉM QUEREM BRINCAR DE IMITAR - BRINCAR E NÃO VIVER OU INCORPORAR ESTES HÁBITOS. HOJE TEMOS UMA VARIEDADE CULTURAL INFANTIL GIGANTESCA - MUITAS MÚSICAS, LIVROS, TEATROS, FILMES E DESENHOS - AS CRIANÇAS NÃO PRECISAM CONSUMIR O MUNDO ADULTO.

A CRIANÇA É QUEM NOS MOSTRA COMO SEGUE SEU DESENVOLVIMENTO E É PRECISO ESTAR ATENTO A ISSO, MAS SABER UM POUCO SOBRE O DESENVOLVIMENTO SEXUAL PODE NOS AJUDAR NOS DESAFIOS DIÁRIOS.



SEXUALIDADE DESDE SEMPRE

QUANDO A CRIANÇA NASCE, O CORPO TODO É ERÓTICO - NÃO É À TOA QUE ACHAMOS OS BEBÊS TÃO "GOSTOSINHOS" - DO CONTRÁRIO NÃO SERÍAMOS CAPAZES DE ATENDER À NECESSIDADE DE PROXIMIDADE FÍSICA E MENTAL DEMANDADA POR ELES A FIM DE SE SENTIREM SEGUROS E AMADOS. NOS DOIS PRIMEIROS ANOS, EMBORA TODO O CORPO SEJA SENSÍVEL - RECEPTIVO, A CRIANÇA BUSCA ATIVAMENTE DESCOBRIR O MUNDO PRINCIPALMENTE ATRAVÉS DA BOCA. MAS ANTES MESMO DE UM ANO DE IDADE, JÁ TATEIA SEU CORPINHO EXPERIMENTANDO QUAIS SENSAÇÕES ACONTECEM.

POR VOLTA DE UM ANO E MEIO OU DOIS, A CRIANÇA COMEÇA A DESCOBRIR, ATRAVÉS DOS ESFÍNCTERES, QUE EXISTE UM MUNDO EXTERNO E UM INTERNO E VAI VERIFICAR QUAIS FORÇAS OU HABILIDADES É CAPAZ DE UTILIZAR PARA CONTROLÁ-LOS. É AÍ QUE ESTÁ A ORIGEM DE SUA AUTONOMIA E, PARA DESCOBRI-LA, PRECISA ENFRENTAR E RECONHECER SEUS LIMITES.

É A PARTIR DOS 3 OU 4 ANOS QUE COMEÇA A QUERER DESVENDAR OS MISTÉRIOS DA VIDA, PRECISA DIFERENCIAR SUAS FANTASIAS DA REALIDADE. É A FASE DOS MEDOS E DAS CURIOSIDADES, INCLUSIVE SEXUAIS. AS CRIANÇAS DESTA IDADE QUEREM ENTENDER COMO A GENTE EXISTE - DE ONDE A GENTE VEM E COMO A GENTE MORRE, PORQUÊ AS COISAS OU PESSOAS SÃO DIFERENTES - MENINOS TEM PÊNIS, MENINAS TEM VAGINA - E MANIPULAM SEUS PRÓPRIOS ÓRGÃOS COM MAIS FREQUÊNCIA. AQUI ELAS POSSUEM CONSCIÊNCIA DE SUA IDENTIDADE SEXUAL E POR ISSO EXPRESSAM PREFERÊNCIAS POR AMIGOS OU PAIS, MESMO INVERTENDO-AS OCASIONALMENTE.  ELAS PARECEM "MINI-ADOLESCENTES" - ORA DISTRIBUEM AMABILIDADE E ALEGRIA, ORA SÃO CHEIAS DE "NÃOS" - MOSTRAM CIÚMES, PREFERÊNCIAS POR UNS E OPOSIÇÃO AOS OUTROS.

AOS 5 ANOS A CRIANÇA JÁ POSSUI UM MELHOR AUTOCONTROLE E MAIS RECURSOS VERBAIS PARA EXPRESSAR SUAS DÚVIDAS E SENTIMENTOS. ENTÃO, REFAZEM SUAS PERGUNTAS BUSCANDO ENTENDER MAIS INTELECTUALMENTE SUAS CURIOSIDADES. EMBORA ELAS BUSQUEM SE SEPARAR PARA BRINCAR CONFORME O SEXO, AINDA NÃO FORMAM O CLUBE DA LULUZINHA E DO BOLINHA. AS MENINAS AINDA EXPERIMENTAM SER MOLECAS, BEM COMO OS MENINOS EXPERIMENTAM SEU LADO FEMININO - E PRECISAM DESTAS OPORTUNIDADES EXATAMENTE PARA CONHECEREM SUA IDENTIDADE SEXUAL. TANTO QUE ESTABELECEM NORMAS MAIS RÍGIDAS PRINCIPALMENTE NAS BRINCADEIRAS, MESMO QUE NÃO CONSIGAM CUMPRI-LAS; MOSTRAM-SE MAIS EXIGENTES.

A PARTIR DOS 6 ANOS DE IDADE AS CRIANÇAS POSSUEM MAIS DESEJOS INTELECTUAIS DO QUE SEXUAIS, ASSIM, SEPARAM OS GRUPOS DE MENINAS E DE MENINOS PARA "APARAR" MELHOR SUA IDENTIDADE SEXUAL NA BUSCA PELA AUTOCONFIANÇA.

SE TEMOS A RESPONSABILIDADE DE EDUCAR AS CRIANÇAS, A SEXUALIDADE CERTAMENTE É UM TEMA QUE DEVEMOS ABORDAR, POIS O DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL DELA FAVORECE O DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL E INTELECTUAL DA CRIANÇA.

DÚVIDAS E DICAS

- QUAIS TERMOS USAR?
SE A FAMÍLIA NÃO TEM PALAVRAS DE USO PRÓPRIO, COMO PIPI, PIRIQUITA ETC. PODE USAR OS TERMOS CIENTÍFICOS COMO PÊNIS E VAGINA.

- POSSO TOMAR BANHO COM MEU FILHO OU FICAR NU DIANTE DELE?
SE ESTE FOR UM HÁBITO DA FAMÍLIA, SIM, DESDE QUE VOCÊ SEJA CAPAZ DE LIDAR COM NATURALIDADE DIANTE DOS COMENTÁRIOS, PERGUNTAS E TOQUES. ENTTRETANTO, DEPENDENDO DA ALTURA DA CRIANÇA, O FOCO VISUAL DELA SE TORNA OS ÓRGÃOS GENITAIS DO ADULTO E, NUM BANHO, POR EXEMPLO, ISSO PODE DESVIÁ-LA DE OUTRAS QUESTÕES DO SEU DESENVOLVIMENTO FAVORECENDO O ENFOQUE NA SEXUALIDADE.

- COMO EXPLICAR A ORIGEM DOS BEBÊS?
NADA DE INVENTAR HISTÓRIAS DE CEGONHAS, ANALOGIAS OU METÁFORAS - ELAS SÓ SERVEM PARA AMENIZAR A NOSSA ANSIEDADE E AUMENTAR A DELAS. MAS TAMBÉM NÃO É PRECISO DESCREVER O ATO SEXUAL.
BASTA DIZER, POR EXEMPLO, QUE O PAI COLOCA UMA CÉLULA NO CORPO DA MÃE E QUE ESSA CÉLULA VAI CRESCENDO E FORMANDO UM BEBÊ ATÉ QUE ELE POSSA NASCER. EXISTE NA MÃE, UM BURACO ESPECIAL PARA O BEBÊ SAIR.

- COMO REAGIR DIANTE DAS MASTURBAÇÕES?
AS CRIANÇAS ATÉ 6 ANOS MANIPULAM SEUS ÓRGÃOS SEXUAIS COMO FORMA DE DESCOBRIR SUAS SENSAÇÕES E PRAZERES. A MASTURBAÇÃO MESMO, ENQUANTO ATO SEXUAL INTENCIONAL DE PRAZER, SÓ ACONTECE NA PRÉ-ADOLESCÊNCIA. NUNCA DEVEMOS AMEAÇAR DIZENDO, POR EXEMPLO, QUE A MÃO VAI CAIR, MAS DEVEMOS ALERTÁ-LAS PARA NÃO SE MACHUCAREM E INFORMAR QUE É ALGO ÍNTIMO, DO QUAL OUTRAS PESSOAS NÃO DEVEM PARTICIPAR, POR ISSO DEVE SER FEITO EM LUGAR E MOMENTO PARTICULAR.

EXISTEM TAMBÉM ALGUNS LIVROS INFANTIS QUE NOS AJUDAM A EXPLICAR E CONVERSAR SOBRE O ASSUNTO, COMO "DE ONDE EU VIM?".

Bibliografia:
LOBO, Luiz. Escola de Pais - Para que seu filho cresça feliz. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1997.
NUNES, César & SILVA, Edna. As manifestações da sexualidade da criança. Campinas: Século XXI, 1997.
SILVA, Maria Pereira da (Org.) Sexualidade começa na infância. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Boletim especial - Memórias da Educação Infantil

“- Myroca! Myroca! O Beto é de verdade?” Sim, ele é nosso amigo do Thema. “Não! Myroca ... Assim, oh! De carne e de osso?” - perguntava uma criança beliscando seu bracinho. 

Nas memórias de uma escola existem muitas histórias, que tem um valor enorme para cada educador que passa por ali. 

Muito cedo o “dom” de educar já tomava espaço em meu coração, este desejo de estar próxima das crianças, criar um espaço em que pudessem sentir o quanto as queria por perto, de um desejo simples de uma sala de aula surgiu uma missão muito maior: “uma escola”. O trabalho, os espaços conquistados, os aprendizados adquiridos, cada criança que passou, que cresceu conosco, que levou em sua memória aprendizados que vão refletir por toda sua vida. Foram 33 anos vida, dedicados ao magistério. 

Hoje, lendo as memórias das educadoras do Thema, como puderam ler também, é que escrevo um pouquinho do que tenho em minhas memórias. 

Descobri o meu tempo de parar... Talvez porque a cada ano vão embora alguns para continuarem suas trajetórias de desenvolvimento e chegam outros cheios de esperança para iniciarem seus aprendizados. E, assim, vai acontecendo com adultos e crianças. 

Pais precisam saber a hora em que devem recuar para que os filhos cresçam. Tem momentos que precisamos fazê-los entender que a confiança que temos por eles é verdadeira e sem medos. Contudo, assumem o mundo adulto levando com eles a credibilidade e otimismo com que foram criados. 

Não estou longe, estou por perto, ministrando todo meu amor, carinho, por um ambiente que recebe os seres humanos que mais me encantam, as crianças. 

Deixei com as crianças do Thema quem eu vi e pude presenciar amar a profissão de educar, quem eu vi os olhos brilharem por cada dia aprender mais sobre o que fazer, como fazer e como vale a pena, por elas, crianças, continuar a fazer. 

Certa de que as profissionais que estão à frente do Thema são firmes, verdadeiras, livres, alegres, determinadas, capazes de perceber o que de mais importante é necessário na educação dos pequenos. Elas estudam, buscam caminhos, se abrem para novos aprendizados, vivem intensamente as maravilhas e as dificuldades da educação. 

Para elas digo: continuem, se apeguem aos pequenos, tenham em mente o mais importante dos objetivos do Thema, adquiram procedimentos que sejam favoráveis ao desenvolvimento das crianças, olhem para a criança como nosso maior tesouro da educação. 

Afinal, por que acham que não desistimos? 

Deus abençoe esta missão de Educar permitindo que princípios e valores consistentes sejam metas nesta tarefa. Estou de olhar atento e coração sensível a cada movimento do Thema. 

Memórias fraternas, 

Myroca

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Memórias da Educação Infantil - Funcionários

Causos da vovó, história para boi dormir, senta que lá vem história... Esses são alguns ditados que podemos usar para lembrar histórias que aconteceram. Assim, aqui no Thema, quem está chegando agora ou quem já trabalha há algum tempo, lembra de algo para contar. Muitos acontecimentos estão gravados na memória e o melhor, nos divertimos muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.

A união faz a força. Depois de um dia de trabalho, no horário de maior movimento de saída das crianças, uma grande chuva começou, na verdade uma tempestade. Ficamos no escuro, em busca de lanternas e velas e organizamos rodas de histórias e músicas até a chuva diminuir. Professora Cristiane 

Envolvida com as atividades das crianças do meu grupo, fiquei em sala organizando materiais, não percebendo que todas as crianças já haviam ido para casa e as demais salas estavam fechadas, só escutei o barulho do portão, que estava para ser trancado. Por pouco, quase fico na escola para a rotina do dia seguinte. Professora Ana Paula 

Lembro de ajudar uma criança a alimentar-se no horário do almoço. Eu conversava e pouco a pouco oferecia a refeição para que ele não ficasse com ânsia, pois estava começando a ingerir alimentos sólidos. Depois de semanas, oferecer a refeição era um momento muito prazeroso, pois a criança sempre dava belos sorrisos. Auxiliar Viviane 

Uma coisa importante que aconteceu comigo foi quando uma criança que dizia poucas palavras começou a me chamar de tia Fe. Recreacionista Fernanda 

Um momento muito marcante no G4 foi a composição da música do projeto polos com as crianças e a professora Ana Paula. Foi de repente, voltando para a salinha depois de uma proposta de música. Com meu violão, o azulão, começamos a conversar e ter ideias e a música “nasceu”. O refrão da música é: vem comigo, vamos explorar, regiões polares vamos pesquisar. As crianças gostaram bastante. ADI Mayara 

A tarefa de educar, o prazer de ensinar e a maravilha de auxiliar são preciosos valores. Observar um pequenino chorando é muito pesaroso, mas contribuir para que aquele choro se transforme em sorriso é um bálsamo para o coração. Essa preciosa tarefa de educar tem um valor que supera qualquer dificuldade e sacrifício em lidar com os pequenos. Professora Tais 

Para mim, tudo o que acontece no Thema é emocionante, pois é a minha primeira experiência com crianças. E o que marca, sem dúvida, é ouvir uma criança que ainda não fala muitas palavras dizer nosso nome pela primeira vez. Também fui bem acolhida pela equipe de trabalho. Sem dúvida, escolhi a profissão certa. ADI Jéssica 

Férias de julho. Passear com as famílias, amigos, idas e vindas. Reencontrar pessoas que há muito tempo não encontrava. Hora de fazer uma visita às crianças do curso de férias. Quando cheguei à escola e as crianças me avistaram, no corredor, começaram a gritar: “Tia, tia, você não sumiu. Você está aqui de volta”. Foi um momento emocionante, com abraço bastante forte. Professora Ariane Milagres 

Algo marcante que presencio no berçário é o momento do encontro. Aquele pequeno instante em que as crianças se reconhecem, se olham. Mais do que isso, entrelaçam olhares, trocam carinho e afeto. É aquele momento em que a sua principal relação deixa de ser o brinquedo e passa a ser o amigo, é simplesmente mágico. No passar dos anos como professora, tenho visto essa relação se formando: o encontro, o começo de uma amizade. Lembro-me de tantas crianças, de tantos outros encontros e olhares que falam mais do que mil palavras. É gratificante presenciar o início do reconhecimento do outro, como o primeiro amigo na primeira infância. Professora Márcia

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Memórias da Educação Infantil - Coordenadora de Aulas Extras


Comecei meus estudos em Dança aos três anos de idade na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo, onde nasci. Desde então, venho dançando sonhos, prazeres, memórias, dores, descobertas, superações. A Dança tem me acompanhado em todas as etapas da minha vida, sendo muitas vezes motivo de grande prazer e, em outros, de profunda inquietação uma vez que percebo que ela reflete diretamente a autoimagem e a relação do indivíduo com suas emoções, valores, cultura, enfim, sua relação com o outro e consigo mesmo. 

Dos três aos dezoito anos de idade participei de diversos grupos de Dança em Piracicaba e fiz cursos em outras tantas cidades buscando com isso diferentes técnicas e estéticas corporais. A sensação de estar em palco, diante da plateia e num “aqui e agora” definir um ano todo de trabalho, de ser de fato, mesmo que por um breve momento, uma pessoa sensivelmente potente, capaz de emocionar, tocar e me relacionar mesmo que subjetivamente com tantas pessoas que eu não conhecia até então, era de fato, fascinante para mim. 

Tive muitos professores amorosos, grandes mestres da arte e da vida, como também, me deparei com personalidades enigmáticas como alguns professores que vestiam seus papéis de carrasco em sala de aula, que humilhavam seus alunos, que exigiam privações, que promoviam angústia e baixa estima, gerando constantes crises nos jovens bailarinos, tudo em nome, segundo eles, do primor técnico. Essas experiências me fizeram rever o papel do educador na formação de um indivíduo e me fazem uma profissional que busca sempre trabalhar com respeito, com criatividade, liberdade e sensibilidade. 

No ano de 2005 inicio meus estudos acadêmicos, cursando Dança (Bacharelado e Licenciatura) na UNICAMP. A escolha por esse curso foi justamente por essa ânsia de compreender melhor a dança e tudo que ela significava para mim. Começa então, junto da graduação, minha grande paixão pela pesquisa, pela educação por meio da arte, pela observação do corpo como potencia de vida e de criação e a busca por uma dança mais humanista, sensível e que é capaz de possibilitar ao bailarino um autoconhecimento peculiar. 

Logo depois que me formei (2009), fui convidada pela Myrian para organizar/criar a festa de encerramento daquele ano. No ano seguinte (2010), a professora de dança do Thema engravidou e fui convidada a assumir as aulas de balé. Nessa mesma época, eu já era professora de Balé Clássico e Dança Contemporânea em outras três escolas de Dança em Campinas. Agora, nesse ano de 2012, além de dar aulas de balé, de organizar e dirigir as festividades do Thema (Festa Junina e Festa de Encerramento) fui convidada pela Paula para assumir a coordenação das aulas extras e confesso estar muito feliz com essa nova experiência. É durante as minhas aulas, no contato com a criança e com essa dança criativa (metodologia que venho desenvolvendo) que tenho descoberto o grande prazer de ensinar, de proporcionar às crianças uma atitude mais criativa diante da vida, de enfatizar as boas relações, os bons encontros, as boas experiências. É na coordenação que tenho podido entrar em contato com profissionais maravilhosos, organizando estratégias para poder aproveitar o máximo de cada um deles, formando, enfim, uma equipe sólida que busca dentro de suas especificidades, valorizar a educação integral da criança. 

Com o Mestrado em Artes da Cena - UNICAMP (2011 - 13) experimento em meu corpo questões que são importantes para o estudo em dança: observação da trajetória artística (dar valor ao “tempo de travessia” do indivíduo), questões relacionadas à imagem corporal, processos criativos, simbologia e memória do corpo. 

Minha busca nesse momento como bailarina, pesquisadora e educadora é promover uma nova forma de ensinar, experimentar e vivenciar a arte, podendo ser para meus alunos, para o público que prestigia minha dança, para os professores que tenho o privilégio de orientar, para os futuros leitores de meus artigos e teses e porque não, para mim mesma dentro do meu processo criativo, alguém que se interessa pelo que mobiliza o ser humano e que entende o autoconhecimento como o grande caminho para o desenvolvimento integral do homem. Deixo assim, de ser vítima do acaso, de um sistema rígido, para ser então, protagonista da minha própria história.


Natália Alleoni

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Memórias da Educação Infantil - Coordenadora NEE

Iniciei a faculdade em 2005, a área da educação sempre me chamou muito a atenção, com isso, sem dúvidas, logo ingressei no curso de Pedagogia. Durante os primeiros meses de estudo, ainda não havia escolhido a área a seguir, mas aos poucos o interesse pela Educação Inclusiva começou a se tornar mais nítido. No entanto, com o passar do tempo essa vontade ficou “incubada”, pois muitas novidades e opções começaram a surgir: educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos. No último ano de faculdade conheci a escola Thema por meio de uma mãe e em fevereiro de 2007 iniciei na escola como professora auxiliar. Em 2008 tive minha primeira turma, como professora no Grupo 1, com crianças de 2 e 3 anos. Em 2009 novamente assumi o Grupo 1, confesso que foi uma experiência incrível, pois tive o prazer de participar de momentos muito marcantes dessas crianças, como a retirada de fralda, o aumento do controle corporal, assim como a ampliação do repertório e troca de algumas palavras pelas primeiras frases. Com essa turma tive grandes experiências e a vontade de conhecer e o interesse pela inclusão ressurgiram. No ano seguinte, passei a ser professora do Grupo 3, no qual estou hoje com minha terceira turma (2010, 2011 e 2012). 

Em 2011 comecei, em parceria com a direção da escola, um trabalho mais direcionado com uma criança do Grupo 3, pois sentíamos a necessidade de estimular de uma forma mais individualizada, assim como ter também informações mais específicas sobre o conhecimento dessa criança. A experiência rendeu informações valiosas, e com isso meu interesse chegou ao auge. Ao final de 2011 a direção propôs o surgimento de um projeto que teria como objetivo conhecer de maneira aprofundada e específica cada criança e seus conhecimentos. Em 2012 iniciei uma pós graduação em Educação Inclusiva, hoje no período da manhã me encontro focada nesse projeto e no período da tarde com uma turma de Grupo 3. 

Com esse projeto, procuro conhecer as crianças e ao mesmo tempo ajudar e trocar ideias, sugestões e informações com as professoras. Estamos com muita vontade de fazer o melhor, porém por ser recente, o projeto ainda vem passando, e certamente ainda passará por diversas mudanças. Acreditamos que as crianças precisam conviver umas com as outras e vivenciarem todas as experiências que seus grupos passam. Com isso nosso projeto foi estruturado para atender as crianças em períodos opostos, nosso maior objetivo é ampliar suas experiências e de maneira alguma restringi-las. 

O conceito de diversidade remete-nos ao fato de que todos os alunos têm necessidades educativas individuais próprias e específicas para ter acesso a experiências de aprendizagem necessárias à sua socialização, cuja satisfação requer uma atenção psicológica individualizada. Holt, 2006

Cibele Santos

Memórias da Educação Infantil - Coordenadora Ciclo 2


Estou, aqui, frente a um grande desafio: o de escrever minhas memórias de educadora. Só de pensar na palavra MEMÓRIA, tenho em minha cabeça uma vastidão de pensamentos, lembranças e sentimentos. Afinal, para mim, a memória nada mais é do que um valioso livro de nossas vidas. Um livro que preenchemos diariamente, repleto de anotações, esboços, vivências, percepções, um lugar onde ficam registrados os fatos marcantes da nossa existência. Ter que resgatar minhas memórias, é ter que folhear este livro e visualizar as marcas de minha vida. Marcas de uma paulistana, que saiu aos 18 anos da casa dos pais para percorrer o sonho de se tornar pedagoga. 

São muitas as memórias, tantas que ficam difíceis de elencar. Memórias do meu primeiro contato como professora, ao sentar com meus irmãos nas brincadeiras de escolinha e compartilhar minhas descobertas. Memórias de crescimento e amadurecimento, quando passei em uma universidade pública e passei a viver sozinha, a estudar, sem ter alguém me cobrando por isso! Memórias das dificuldades ao assumir pela primeira vez como professora, uma sala de aula de crianças de 8 anos, em que os pais subestimavam a minha capacidade por me acharem muito nova e, também, memórias de missão cumprida, por ter conquistado esses mesmos pais. Mas, para mim, as memórias mais especiais, são dos rostos vibrantes e alegres das crianças, ao compartilharem seus conhecimentos e, acima de tudo, saber que fiz parte desse processo. 

Ao estar com as crianças tive um enorme aprendizado que não constava em nenhum dos meus livros teóricos: o conhecimento de que nós educadores mais aprendemos com elas do que realmente ensinamos. Com as crianças, aprendemos que o tempo, o conhecimento, as descobertas, experiências e brincadeiras são amigos inseparáveis e, por isso dão um sabor diferente a vida. Não é a toa que a infância é uma etapa inesquecível! 

Talvez por saber que as crianças pequenas são mais sensíveis e intensas às delicadezas da vida, que acabei me tornando uma amante e defensora da Educação Infantil. Antes, como professora, um dos meus principais intuitos era o de preservar e propiciar uma infância de qualidade. Atualmente, como coordenadora pedagógica, esse objetivo ainda continua, só que agora com uma intensidade muito maior. 

Confesso que não foi fácil e, ainda não é, essa transição de professora para coordenadora. Somente neste instante, veio-me a mente muitas memórias de desafios que enfrentei e enfrento nessa nova função. Mas, o que me motiva a continuar e ultrapassar cada um desses desafios que, muitas vezes, fazem-me pensar no retorno à sala de aula, é saber que na coordenação, conseguirei propagar, lutar e garantir os direitos das crianças de serem realmente crianças e terem uma educação de excelência. Sei que não é uma tarefa nada fácil, porém já superei muitas marcas de dificuldades na minha trajetória pessoal e profissional, por isso, tenho certeza de que essa será mais uma a fazer parte das minhas memórias de superação e, porque não dizer também, de otimismo!

Camila Izoli

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Memórias da Educação Infantil - Coordenadora Ciclo1

O que posso trazer em memória, senão pelos olhinhos brilhantes que me olham diariamente com desejo de novas descobertas? 

Trabalho no Thema como educadora há oito anos e atuo como coordenadora pedagógica pelo terceiro ano. Tudo começou por um forte desejo de novas descobertas... Quando criança eu desejava ser cientista, pode acreditar! Eu desejava investigar o mundo sem saber ao certo o que. 

Conclui o Magistério, fiz 2 anos de teatro, terminei a Faculdade de Pedagogia e a partir daí, comecei a dar significado a valores em minha formação. Trabalhei como voluntária em um hospital com crianças, cujo principal valor era a vida, fui professora do 1° Ano em ONG, onde as crianças tinham “fome de aprender e vontade de comer” e, depois, vim ressignificar o motivo de ser educadora, tendo oportunidades aqui no Thema. Ressalto a palavra oportunidades, pois desde o início, pude contar com profissionais que acreditaram em meu trabalho e muito mais do que isso, alimentaram meu forte desejo de investigar o mundo com as crianças. Um detalhe nesta época chamou minha atenção: diferente de outros lugares, aqui no Thema, toda proposta era significativa para os pequenos e, mais do que a paixão por educar, os profissionais se envolviam por amor em cada situação de aprendizagem e todos se empenhavam muito para isto, a começar pelo brilho do olhar da Educadora e Diretora Myrian. Os olhos dela, sempre brilharam para os olhares das crianças e consequentemente, esses se refletiam nos nossos e prosseguem nos dias de hoje. Entrei no Thema como professora do 1° Ano, depois trabalhei com crianças do G1, G2 e por fim, com crianças de Berçário e Maternal e este último grupo instigou profundamente o desejo de possibilitar que os passos dos pequenos investigassem e se relacionassem com o mundo que os cercam, afinal, lidamos com a formação de pessoas e não somente com o cuidado das crianças. 

Fui coordenadora das aulas extras, recreação e hoje, estou na coordenação do Ciclo 1. De educadora, passei a ser também formadora – profissão que muito me instiga, pois trabalhar diretamente com a formação de professoras é um grande desafio! Trata-se de um caminho difícil que exige esforço, energia, muito trabalho e às vezes sofrimento, mas que também oferece encanto, surpresa, alegria e satisfação. É um caminho que demanda tempo, como o tempo que as crianças têm e os adultos não têm ou não querem ter. Este tempo permite ainda a busca pelo significado das experiências com as crianças, as quais deixarão para sempre, suas marcas assim como minhas memórias. Junto aos desafios como educadora, em breve, experimentarei SER MÃE - com certeza, esta experiência intensificará a prática e o amor, que é a essência da escolha de toda a equipe THEMA.

Fátima Tarallo

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Memórias da Educação Infantil - Coordenadora Geral

Dizem que são pelas andanças, altos e baixos da vida que aprendemos a lidar com as mais variadas situações. Acredito que eu seja assim. Nasci em Guaratinguetá, cursei o magistério em Aparecida, faculdade em Lorena, especialização em Campinas e pós-graduação em São Paulo e já trabalhei com realidades bem diferentes da qual estou hoje, em uma obra social e em uma creche. Assim, gosto de olhar para trás e ver o quanto já aprendi e como tenho aproveitado meu tempo. Acredito que não todas, mas algumas pessoas já nascem apaixonadas por aquilo que se dedicam a fazer e o tempo só faz isso aumentar. Esse é meu caso. Nasci apaixonada pela educação, não dos grandes, mas dos pequenos. O tempo me levou à descoberta do trabalho na educação infantil. Tempo para ouvir e escutar, tempo para olhar e observar, tempo para ensinar e aprender... 

O tempo também me mostrou que a distância da família e pessoas queridas me fez a passar a ter outro olhar em relação a minha vida. Se estou me dispondo a morar longe da família, que seja para valer a pena então. Trabalhando no Thema desde 2006, posso dizer que aqui minha família aumentou. Afinal, não somente eu, mas tantas outras pessoas passam a maior parte do seu dia no trabalho. Mas, este não é um trabalho qualquer, em qualquer lugar. É um trabalho com a educação dos pequenos e no Thema. Quanta responsabilidade não? Ou melhor, que maravilha! 

A cada ano, tenho acompanhado e participado das transformações da escola. Maior espaço físico, autorização para o funcionamento do Ensino Fundamental, nova organização da coordenação e direção. Mas, mesmo com toda essa estrutura, se eu não acreditasse na educação, de nada adiantaria. Você sabe o que é ser um educador? Dentre tantas coisas, é acordar de manhã sabendo que à sua espera você terá crianças que acreditam naquilo que você diz, que esperam você de pés descalços para brincar na areia, para ser a filhinha na brincadeira de casinha, que pede ajuda para escrever algo ou amarrar o cadarço do tênis... Por isso, é importante pensar não somente na professora que está à frente do grupo, que tem todo o preparo pedagógico das propostas e projetos, mas também de toda a equipe. Como falar, atender as crianças da melhor maneira possível? Esse é um desafio que temos a cada dia. Agora, nessa minha nova etapa, minha preocupação não é somente com um grupo, com as crianças do meu grupo. Minha preocupação é com a formação das educadoras que, de uma maneira e de outra, participam e são responsáveis pela qualidade do nosso trabalho, das nossas crianças. 

Ser pedagoga é assim: cada coisa precisa de um tempo para acontecer. Mas não podemos esperar que algo aconteça sem nossa ação. Depois de anos buscando ser uma professora de qualidade, é chegada a hora de pensar na formação dos profissionais que atendem as crianças. É preciso estudo, trabalho em equipe, saber ouvir e falar, pois a educação não é algo que se possa dar por pronta e finalizada. Por isso o Thema e todos aqueles que fazem parte dele – funcionários, pais e crianças – estão sempre em transformação. Transformação que deixam marcas, muitas lembranças, que permanecerão por muito tempo, quem sabe a vida toda. São questões que estarão sempre entrelaçadas, amarradas. Posso dizer como é bom olhar para trás e ver quantas marcas já foram deixadas, mas sem dúvida, é tempo de pensar naquelas que ainda estão por vir. Mais do que estar em uma equipe, é saber que faço parte de uma equipe que acredita na qualidade do trabalho para a Educação Infantil, que pensa não somente na formação das crianças, mas também dos seus profissionais. 

Ana Paula

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Memórias da Educação Infantil - Diretora Pedagógica

 Atualmente atuo como diretora da escola, tarefa difícil, gostaria de aproveitar esse espaço para contar um pouquinho da minha história, que é também a história do Thema... Minha família é de Minas Gerais, vim para Campinas ainda bem pequena, minha mãe, Myroca, uma grande educadora, começou a trabalhar num berçário e, após algum tempo, tornou-se proprietária, iniciou então uma jornada que resultou numa escola de Educação Infantil. Desde criança participei de toda a construção do Thema, que vocês conhecem hoje. Trabalhei em curso de férias, auxiliei professoras, brinquei e dei aula para muitas crianças que, hoje, já têm filhos e alguns cá estão.

Em 2001, iniciei o curso de pedagogia na Unicamp, após muitas dúvidas essa decisão foi tomada com o apoio de minha mãe que despertou em mim o amor (vejam bem, amor, pois a paixão sabemos que acaba) pela educação. Assim, comecei de fato a trabalhar como educadora do Thema, atuei como auxiliar de Maternal, professora de G1, G5 e coordenadora pedagógica.

Em 2009, iniciamos uma nova jornada, em decorrência de alterações legais (nosso antigo pré/G5, passou a ser 1ºano do fundamental) e movidas por ideais ligados à infância e à valorização dessa, entramos com um pedido de regularização na Delegacia de Ensino, e para nossa maior surpresa, conseguimos autorização para ter o Ensino Fundamental. Assim, um dia de cada vez, com muito estudo e preparo, temos a intenção de ampliar o Thema até o 5ºano.

Muitos são os desafios que já superei em minha jornada e muitos ainda estão por vir, afinal escolhi uma profissão que se transforma a cada dia. Estar atenta ao mundo, sociedade, culturas e conhecimento é fundamental para conseguir vislumbrar possíveis mudanças pertinentes e críticas, capazes de contribuir para uma formação consistente de cada ser que habita o Thema. 

Sabendo que o ato de se autoavaliar não está diretamente relacionado ao tempo de experiência e sim a uma capacidade de reflexão e análise, que se distancia da prática e passa a ver o erro como um processo de aprendizado, assumi em 2012 a direção da escola. Preparada? Será que algum dia estaria? Mas, o que posso garantir a cada um de vocês, que colocam em minhas mãos e de toda a equipe maravilhosa do Thema - que a cada dia aumenta e se qualifica, o que vocês tem de mais precioso, que farei sempre o melhor, respeitando os ideais e valores preconizados pela filosofia e história do Thema.

Sabendo que “para confirmar cientificamente a verdade, é preciso confrontá-la com vários e diferentes pontos de vista. Pensar uma experiência é mostrar a coerência de um pluralismo inicial.” (Bachelard, 1996, p.10). Assim, conto com uma equipe de coordenadoras e professoras que contribuem com a construção da educação realizada no Thema.

Paula Franco

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Memórias da Educação Infantil - Histórias Engraçadas

Certa vez, uma educadora disse que essa é a profissão mais feliz do mundo. E realmente, tendo a oportunidade de acompanhar a trajetória desses pequenos, sabemos o quanto esta é recheada de casos engraçados. Como dizem os mais “curiosos”, eu daria tudo para ser um mosquitinho e ouvir o que as crianças tanto falam.

Depois de ir para a horta com as crianças, couves foram colhidas para fazer um refogado. Indo para a sala, uma criança comenta com a outra: pegamos couve na horta para fazer um resfriado!. Auxiliar Juliana
Buscando maneiras para não ir embora do Thema ao final do 1° ano, uma criança entra na secretaria e pergunta: posso deixar meu currículo aqui? É que eu tenho observado que o tio Luis anda meio cansadinho e acho que a gente pode dividir as aulas de futebol. Professora Ana Paula

Durante a rotina da manhã, saímos do parque para lavar as mãos e almoçarmos. Auxiliei as crianças nesse momento e fomos andando para o refeitório sem fazer trem, uns foram na frente, outros ficando mais atrás. Ao contar as crianças para colocar os pratos percebi que estava faltando uma. Procurei pela escola toda até que a achei no banheiro. Ela estava trocando a roupa, porque disse que estava muito calor, mas o que chamou atenção é que ela pegou o saquinho no zíper ao lado da mochila, dobrou (do jeitinho dela) a roupa suja e guardou no saquinho separado da roupa limpa. Não consegui nem chamar a atenção pelo fato dela ter saído de perto do grupo depois de tanto cuidado. Sentei ao seu lado e esperei que se trocasse toda e arrumar sua mochila, auxiliando apenas no fechar do botão do short. Professora Lisiane

Em um dia de intergrupos de brincadeiras folclóricas, foi oferecido um lanche diferente do cardápio. Porém, as crianças do 1° Ano encontraram um grande desafio para degustá-lo: comer milho na espiga sem os dentes. Muitas crianças nessa época já tinham perdidos alguns dentes, principalmente os da frente. E, para não deixar de se deliciar com o milho, enquanto comiam faziam variadas caretas e manobras. Enquanto alguns se divertiam observando os outros amigos, uma delas, muito chateada, fez o seu desabafo: é muito difícil ser banguela! Eu não consigo comer nem maçã, nem milho. Tempos depois, ela se deu por satisfeita por ter conseguido comer o milho de uma única espiga. Professora Ariane Frasson